Maison&Objet Paris 2026 chegou ao fim, mas as emoções permanecem, entrelaçando-se nas nossas criações e dando vida a algo que se estende muito além da exposição
Começa sem urgência.
À medida que avança, as peças desenrolam-se silenciosamente, aproximando-se. A emoção desperta, quase impercetível no início, depois constante. O tempo afrouxa. Os passos tornam-se mais leves. Permanece um convite silencioso para abrandar, ficar mais um pouco e deixar-se levar pelo ritmo.
Uma nota começa a vibrar.
Suave. Sustida.
Depois, o ritmo encontra o seu corpo e a Coleção Aria começa a tocar a sua melodia.
A porcelana liberta a nota de abertura, com clareza e elegância. O bronze fundido define o compasso, firme e seguro. O vidro transporta o som, deixando-o viajar e permanecer no ar. A melodia eleva-se numa fioritura contida, notas que sobem, desenhando percursos verticais, tocando as paredes. No seu centro, a composição condensa-se numa cadenza. Um momento de intensidade e equilíbrio, onde porcelana, bronze fundido e vidro dialogam, transportando força e contenção em igual medida. O som ocupa o espaço, estável e confiante, antes de suavizar numa coda persistente que nunca se extingue por completo.
E então, a melodia desloca-se…
A Coleção Blossom ganha coragem a partir do ritmo e começa a dançar.
Inabalável e viva, move-se ao pulso de Aria. Flores de vidro erguem-se com confiança, enquanto a sua textura efervescente capta a luz de forma vibrante. Uma floração feroz e delicada, a dançar entre fragilidade e fogo. O ritmo intensifica-se, impulsionado pelo movimento e pelo brilho.
A Coleção Coral conduz o som para debaixo da superfície e a melodia desce…
Uma cadência do mar, onde o som se torna fluido e lento. As bases em bronze parecem moldadas por correntes e pelo tempo, orgânicas e texturadas, guardando o pulso silencioso do fundo do oceano. A melodia move-se como se fosse transportada pela água, suavizada, transformada.
Acima, a superfície altera a profundidade do som. O mármore, claro ou escuro, confere à peça uma gravidade densa, elemental.
O vidro, transparente, sépia ou gris, deixa a luz atravessar, permitindo que reflexos ondulem suavemente. É como se o mar recordasse a sua própria canção, como se uma melodia distante tivesse encontrado caminho até às profundezas e aprendido ali a respirar.
De súbito, a composição eleva-se.
A Coleção Quartzo permanece em quietude, guardando o som no seu interior.
Enraizada e imensa, a sua força habita profundamente o vidro, hipnótica na textura e na presença. Há peso no seu silêncio, beleza na sua imobilidade. Quartzo escuta mais do que fala, absorve a ressonância à sua volta e, ao fazê-lo, diz tudo.
A Coleção Dandelion irrompe em luminosidade. Uma inspiração profunda. Uma libertação. A luz expande-se como sementes levadas pelo ar. A melodia regressa a si mesma, começando e terminando no mesmo gesto. Brilho e sombra coexistem, unidos pelo movimento, pelo desapego, pela promessa contida em cada respiração.
O compasso estabiliza. A Coleção Origem enraíza a composição.
Formas em bronze fundido entrelaçam-se, ascendendo com determinação até encontrarem a marquina preta acima, pousada como uma copa, forte e serena. Da pedra fraturada surge vida. Aqui, a melodia fala de persistência, de transformação, de vida a encontrar a sua voz na incerteza.
Segue-se um momento mais contido e a Coleção Calathea respira com graciosidade.
As suas formas desdobram-se numa cadência subtil, as folhas abrem e fecham em harmonia com o ambiente, guiadas por um compasso natural.
Por baixo de tudo, uma presença familiar permanece. As coleções icónicas e clássicas da Serip sustentam a melodia. São a nota base. Intemporais. Duradouras. Sempre elegantes. A sua linguagem percorre cada nota, cada gesto, cada detalhe. Um refrão que mantém tudo unido.
À medida que o último som se dissipa lentamente, a melodia não desaparece.
Permanece no corpo, no olhar, no silêncio entre pensamentos. Tecida em cada criação, molda algo que se estende muito para além do instante.
A história continua.
Segue em frente.
Sentida, muito depois da melodia terminar.